Entrevista com o diretor da websérie Pedal

26 de fevereiro de 2014

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O primeiro episódio da série Pedal, que discute ciclomobilidade na região da Grande Vitória, no Espírito Santo está na rede. A série é dirigida pelo realizador audiovisual Ramon Zagoto e conta, a princípio, com três episódios. Os vídeos abordam o comportamento de motoristas de veículos automotores, pedestres, ciclistas e suas impressões sobre a infraestrutura da Grande Vitória para a ciclomobilidade, além de sempre situar a bicicleta como protagonista no processo de desenvolvimento urbano sustentável e não excludente.

Com caráter introdutório, o primeiro episódio é um convite às pessoas a perceberem os benefícios da bicicleta, pontuando direitos e deveres do ciclista. A partir da experiência da designer e ciclista Juliana Colli e do jornalista e ciclista Luiz Nemer Neto, o vídeo mostra a possibilidade de usar a bicicleta no meio urbano como transporte alternativo para ir ao trabalho e em deslocamentos gerais pela cidade.

A utilização da bicicleta como meio de transporte alternativo ao uso de veículos automotores apresenta uma tendência de crescimento no mundo todo. “Por mais que haja um ambiente propício para o maior uso deste modal nas cidades, ainda há pouca orientação e infraestrutura que conceda segurança aos ciclistas urbanos. Na mídia tradicional, é comum perceber a bicicleta associada ao esporte ou ao lazer, mas raramente como um modal urbano. Esse é um diferencial da websérie Pedal”, comenta o diretor Ramon Zagoto.

Websérie reforça a bicicleta como um modal de transporte

Websérie reforça a bicicleta como um modal de transporte

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista com o produtor audiovisual e diretor da websérie Pedal, Ramon Zagoto:


Como nasceu a proposta da Websérie Pedal?

Já ando de bicicleta há um tempo e como ciclista sempre me deparo com desafios no trânsito, por não haver uma cultura da bicicleta como modal urbano. No Brasil, o ciclista urbano é relativamente novo no pensamento das políticas estruturais para a cidade, por isso, ainda são poucos os mecanismos (ciclovia, ciclofaixa, bike box, traffic calming) que concedam segurança ao ciclista; e quando há necessidade de compartilhamento de via, a compreensão de outros atores do trânsito como motoristas e pedestres ainda não é suficiente. As pessoas ainda não aprenderam a respeitar a bicicleta na via. Pensar um produto audiovisual que trate a bicicleta como modal urbano é o diferencial porque nas mídias tradicionais ou até na internet, a bicicleta ainda é muito associada somente ao esporte ou lazer.

A série é direcionada apenas para ciclistas?

É um tema que envolve diversos atores sociais, bem abrangente. Todos precisam se locomover pela cidade e existem algumas opções de transporte pra isso. No nosso caso da Grande Vitória, mais limitado. Na série, colocamos a bicicleta como um protagonista para um trânsito mais fluido, sustentável e principalmente mais humano. Expomos o ponto de vista do ciclista, mas buscamos uma discussão ampla em torno do tema, pra que envolva também motoristas, motociclistas e pedestres. Não é uma fórmula, até porque acredito que não conseguiremos dar conta de todo o universo que é a mobilidade e a bicicleta. Mas o que queremos é provocar uma reflexão. No segundo episódio, por exemplo, teremos a fala de um urbanista, não como um ciclista, mas como uma pessoa que enxerga a cidade de uma forma mais ampla.

O primeiro episódio mostra a experiência de dois entrevistados. Como foi a escolha por essas pessoas?

Eu já conhecia o Luiz e a Juliana de outros contextos, mas durante a elaboração do roteiro do 1º episódio é que descobrimos que eles utilizavam a bicicleta com frequência. Agora, os próximos entrevistados nós tivemos que pesquisar, pedir indicações e alguns chegaram ao nosso conhecimento depois do lançamento do primeiro episódio. O primeiro episódio tem um caráter bem introdutório. A intenção é fazer um convite para que as pessoas pedalem. Os personagens são uma via real de provar que é possível, fácil e prazeroso usar a bicicleta. O mesmo formato de 2 personagens não será seguido necessariamente nos próximos episódios.

A série fala sobre a região da Grande Vitória. Como você analisa as políticas públicas para bicicleta na região?

Analisando regionalmente, existe uma grande demanda social para se pensar a bicicleta. Os grupos de cicloativismo que existem na Grande Vitória hoje revelam essa necessidade. E o poder público está buscando um meio de lidar com isso, acredito. Existem algumas ações sendo feitas. Por exemplo, quando filmamos o primeiro episódio (novembro de 2013) não existiam tantas intervenções na cidade voltadas para o ciclista como existem agora no inicio de 2014. Exemplos: o bike box, a faixa de lazer, o bike gv, novas ciclovias, etc. Mas ainda são ações isoladas. Acredito ser necessário pensar a mobilidade urbana de uma forma ampla e planejada, o que requer tempo, conhecimento e vontade política. Mas vejo que o poder público começa a voltar os olhos para a questão.

Como o público tem recebido a websérie até agora?

Por enquanto, o vídeo só está na internet e fizemos o lançamento físico dentro da programação da Casa.lab Infinitas no Centro de Vitória, em Dezembro de 2013. Está sendo bem recebida, alcançamos mais de 1500 visualizaçoes no youtube. Fomos divulgados em alguns meios de comunicação e até em uma revista sobre bicicleta de circulação nacional (Revista Bicicleta). Acho que é um começo.

A Websérie terá quantos episódios? Quando os próximos serão lançados?

A princípio, a série conta com 3 episódios. Todos estarão disponíveis na internet, pelo canal do youtube. A estética vai ser a mesma, já que é uma série. Quando os 3 estiverem finalizados, prevemos algumas exibições específicas, como na Semana de transito, semana do ciclista e exibições pela cidade em parceria com cineclubes. Agora, estamos na fase de produção do segundo episódio. O objetivo é finalizarmos até o terceiro episódio ainda nesse primeiro semestre de 2014.

O que será abordado nos próximos episódios?

O segundo episódio vai levantar alguns questionamentos sobre o ritmo da cidade, do trânsito e o que levou a sociedade a priorizar o carro em detrimento de outros modais. O terceiro episódio vai tratar da bicicleta na periferia.

Quem é a equipe dos bastidores do Pedal?

Temos uma equipe proponente do projeto: eu, Jéssica Dias e Luanna Esteves. A partir daí, convidamos pessoas do curso de Audiovisual e do curso de Música da Ufes.

 

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