Cicloviagem: Conceição da Barra – Salvador (Parte 3)

2 de março de 2014

Conceição da Barra - Salvador

# Dia 7 – Chocolate na areia – 30 km

Após cruzar o Rio Cahy, seguimos até Corumbaú. Foram 15 km pela areia, que estava bem dura e fácil de pedalar. Nem precisei esvaziar os pneus.

Muito verde no lado esquerdo e o mar no lado direito. É a única coisa que se vê por vários quilômetros.

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Corumbaú
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Atravessamos o Rio Corumbaú em uma canoa. Para minha surpresa, o homem que nos atravessou nos contou que aquele rio, que vem do Monte Pascoal, é a divisa entre os municípios de Prado e Porto Seguro. Até então, eu achava que Cumuruxatiba e Caraíva eram cidades. Ele também nos contou que Caraíva estava a apenas 10 km dali. Por conta disso, resolvemos comer um chocolate ali mesmo na areia e deixar para almoçar lá.

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A travessia custou R$ 3,50 cada um
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A areia, que era tão dura quanto concreto até então, ficou fofa depois do Rio Corumbaú. O jeito foi procurar uma estrada que passava por dentro da aldeia Pataxó e levava até Caraíva.

Ao entrar na aldeia acenei para alguns índios, que prontamente acenaram de volta, dando a entender que não havia problema em usarmos aquela estrada. Já tinha ouvido falar que aqueles índios costumam cobrar pedágio das pessoas que ali precisam passar. Entretanto, para nós, não cobraram nada. Devem gostar de bicicletas!  ;)

Chegando em Caraíva, saímos em busca de algum lugar para passar a noite. O tempo estava tão feio que nem nos animamos em conhecer a praia. Apenas limpamos as bicicletas e fomos dormir.

# Dia 8 – Desânimo – 61 km

Havia chovido todos os dias da viagem até então. Por conta disso, estávamos bem desanimados e com vontade de voltar para casa. Como falei anteriormente, nem a praia conhecemos.

Com esse clima de desânimo, acordamos e fomos pegar o barco para atravessar o Rio Caraíva. Dali seriam 61 km até a balsa que faz o transporte entre Arraial D’ajuda e Porto Seguro.

Passamos na entrada de uma das praias mais bonitas do Brasil, a praia do espelho. Mas o tempo estava tão feio, que só queríamos chegar em Porto Seguro, onde um amigo nos esperava com uma cama e um banho quente.

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De saco cheio da chuva
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Até o trevo de Trancoso, a estrada é de chão. São 32 km de muita lama e morros intermináveis. A estrada é bem movimentada, toda hora tem carros passando. Caso você tenha algum problema, não deve ser difícil conseguir uma carona.

Após o trevo, começa o asfalto, e junto com ele, 5 ou 6 morros com uma inclinação enorme. Eu tive que subir empurrando a bike em todos eles.

Depois de alguns quilômetros os morros acabam e você consegue chegar bem rápido em Arraial D’ajuda.

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Balsa Arraial D’ajuda – Porto Seguro
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# Dias 9, 10, 11, 12 e 13 – Porto Seguro – 0 km

Ao chegar em Porto Seguro, Chamovitz desistiu da viagem. A chuva estava fazendo tudo ser muito chato. Não estávamos aproveitando os lugares por onde estávamos passando. Por conta disso, eu quase desisti junto com ele. Quase… rsrs

Um amigo de Vitória, Apgaua, coincidentemente viria com a namorada para Porto Seguro com o objetivo de ir até Itacaré de bicicleta. Junto com isso, a previsão do tempo era muito boa para os próximos dias. Foi o que eu precisava para ignorar as dores, o cansaço e decidir seguir em frente.

Fiquei enrolando alguns dias em Porto Seguro até que o Apgaua chegasse.

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Ele italiano, ela baiana. Pizza excelente.
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Peçam a pizza “Porto Firme”
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Dias depois, como combinado, o Apgaua chegou. Mas ainda não poderíamos partir. Teríamos que esperar mais um dia até que a namorada dele chegasse. Resolvemos comprar algumas coisas no supermercado e ir dormir em alguma das praças da cidade para economizar dinheiro.

Enquanto buscávamos um lugar para dormir, encontramos Din, um ciclista que nos parou no meio da rua e em menos de 1 minuto de conversa nos ofereceu sua casa para que a gente pudesse passar a noite. Lembram que na parte 1 desta série, eu falei que o dono do Açai Irerê era apenas a primeira pessoa maravilhosa que eu encontraria pelo caminho?

Em sua casa, Din nos ofereceu cerveja, largou a chave de casa conosco e foi passear com seus filhos.

Cozinhamos alguma coisa e quando estávamos nos preparando para dormir, o cunhado de Din, que mora no andar de cima, nos convidou para comer macaxeira com bife acebolado. Mesmo de barriga cheia, aceitamos… rsrs

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Na garagem do Din
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Bife acebolado do cunhado do Din
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# Dia 14 – Reinício – 75 km

Carmen, namorada do Apgaua, chegou pela manhã. Compramos algumas coisas no supermercado e partimos para Belmonte. Seria a primeira vez que eu pedalaria com tempo bom nesta viagem. Eu estava muito empolgado.

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Sol, Carmen e Apgaua: novos companheiros de viagem
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Pedalamos cerca de 23 km até Santa Cruz de Cabrália, onde é necessário pegar uma balsa para Santo André. Eu não lembro bem, mas eu acho que o valor era R$2,50.

Na balsa conhecemos um casal de atores paulistas que estavam pedalando pela região. Eram o Pedro Lemos e a Lisandra Parede, que estavam no elenco de Chiquititas, novela do SBT. Conversamos por alguns quilômetros até o local onde eles estavam hospedados.

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Estrada deserta
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A estrada depois da balsa era incrivelmente calma. Tão vazia que você podia colocar sua bicicleta no meio da pista, tomar distância, sentar no asfalto e configurar sua câmera para o melhor clique.

A região é bem bonita. Quero voltar com calma para ver como são as praias.

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Apgaua, Carmen e o rio
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Logo após a foto acima, escureceu. Tivemos que fazer cerca de 40 km na escuridão total. Para piorar, eu havia esquecido de carregar minha lanterna. A bateria durou pouco tempo.

Tive que pegar uma sinalização traseira da bicicleta da Carmen e me virar para enxergar, e quando não se enxerga direito, se pedala mais devagar. Por isso, levamos muito tempo para chegar até Belmonte.

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Pessoas que não mediram esforços para nos ajudar
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Ao chegar em Belmonte, paramos no primeiro buteco que vimos para comer algo e tomar uma cerveja. As pessoas nos olhavam com curiosidade e queriam saber da onde estávamos vindo. Ao saber que não tínhamos onde dormir, as pessoas de uma mesa ao lado da nossa começaram uma saga para nos colocar no alojamento da prefeitura. Até diretamente pra Prefeita eles ligaram.

Pouco mais de uma hora de ligações para diversas pessoas, eles conseguiram autorização para que nós dormíssemos no alojamento. O rapaz de camisa branca na foto ofereceu a própria casa caso nós não conseguíssemos o alojamento.

Simplesmente emocionante o carinho que essa galera teve conosco. Muito obrigado!

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Cama, sanitário e eletricidade = LUXO
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# Dia 15 – Rio Jequitinhonha – 15 km

Não existe estrada de Belmonte para Canavieiras. A única maneira é pegar uma lancha que vai pelo meio do manguezal. Uma das pessoas que estava na mesa de bar da noite anterior apareceu no alojamento pela manhã e ligou para o dono de uma lancha, que prontamente nos levou para Canavieiras.

O trajeto é simplesmente fantástico! O ponto alto da viagem até aquele momento.

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O frete da lancha sai por 100 reais
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Assim que desembarcamos em Canavieiras, encontramos várias pessoas vendendo cacau em grandes lonas estendidas pelo chão. Segundo os moradores locais, a cidade já foi muito rica e próspera por conta do cacau.

Almoçamos perto da rodoviária e depois Apgaua precisou tirar um cochilo. Deitamos na rodoviária e ficamos lá por cerca de 40 minutos.

Quando pegamos a estrada novamente, uma péssima constatação: a corrente da bicicleta da Carmen estava com 7 elos empenados. O pescador tinha ajudado ela a colocar a corrente no lugar e puxou com muita força, empenando completamente a corrente. Só com uma corrente nova.

Nossa única saída era pegar carona até Ilhéus. E foi com uma família de Santo André – SP que nos ajudou.

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Família de Santo André – SP nos resgatou
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A família foi parando em todas as praias no caminho, e isso foi irado. Conhecemos vários lugares que passaríamos direto.

O que mais me chamou a atenção foi um lugar chamado Comandatuba, que tinha vários ônibus da Viação Águia Branca. Tinha até um aeroporto com Boeing decolando. Jamais imaginaria todo esse movimento naquele lugar remoto.

Depois fiquei sabendo que tudo aquilo era por conta de um resort. Fiquei curioso e quero voltar pra conhecer.

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Águia Branca me fazendo lembrar de casa em Comandatuba
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Chegando em Ilhéus, consertamos a bicicleta da Carmen e começamos a pensar em um lugar para dormir. Estava tudo muito caro, por isso, resolvemos pedalar cerca de 10 km pra fora da cidade e acampar na praia. Sem dúvidas, a melhor opção.

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10 km ao norte do centro de Ilhéus
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Fomos para um lugar bem remoto e montamos nosso acampamento. Fizemos uma fogueira, cozinhamos, estendemos as roupas molhadas (suor) e fomos dormir. Eu me entupi de repelente e dormi com a barraca aberta, coisa que passaria a fazer até o fim da viagem.

# Dia 16 – 58 anos – 62 km

Pela manhã encontrei este senhor aí da foto abaixo. Estava subindo nos coqueiros e pegando coco para vender. Com o detalhe que ele tem 58 anos e subia simplesmente abraçando o coqueiro, sem qualquer tipo de corda.

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Acampados no paraíso
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58 anos e sobe nos coqueiros no braço
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Apgaua e Carmen foram dar um pulo no mar antes de partirmos para Itacaré. Eu não quis ir pois tinha tido péssimas experiências com pedalar sujo de água salgada. Fiz isso no segundo dia de viagem e ainda estava me recuperando da assadura que isso causou. Preciso aproveitar esse momento para dizer: não esqueça o hipoglós!

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30 km de Itacaré
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Nos primeiros quilômetros da estrada para Itacaré existe ciclofaixa. Se não me engano, são 10 km. Depois são 50 km sem acostamento até Itacaré.

A falta de acostamento é relativamente tranquila perto do que acontece faltando aproximadamente 30 km para Itacaré.

Mas isso é assunto para o próximo post!

:)

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