Cicloviagem: Conceição da Barra – Salvador (Parte 1)

23 de fevereiro de 2014

Conceição da Barra - Salvador

 

# Dia 1 – Início – 24 km

Pegamos um ônibus na rodoviária de Vitória para Conceição da Barra. Eu achava que teríamos que pagar algo extra para levar as bicicletas, mas ninguém nos cobrou nada.

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Embarcando as bikes no ônibus.
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Chegamos em Conceição da Barra bem tarde. Comemos alguma coisa em uma lanchonete e pegamos a péssima estrada que leva até Itaúnas.

Essa estrada serviu como um aquecimento. Foi nela que percebi que se eu não melhorasse a amarração da bagagem, acabaria perdendo alguma coisa (vide vídeo acima). Chamovitz, meu colega de viagem, também percebeu que sua lanterna não era forte o suficiente. Se não fosse a lanterna de 900 lumens que eu carregava, ele não conseguiria enxergar direito.

estrada itaunas

Chamovitz na estrada para Itaúnas.
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Em Itaúnas, encontramos uns argentinos que nos deram a dica de um lugar onde poderíamos tomar um banho gratuitamente. O chuveiro fica dentro de um bar e parecia ser destinado aos banhistas que vinham da praia.

Depois do banho, decidimos dormir ali mesmo, dentro de uma lanchonete chamada “Açai Irerê”. Deixo aqui o meu agradecimento ao proprietário, que pela manhã, ao descobrir que tínhamos dormido dentro do seu estabelecimento, não achou ruim.

Ele foi a primeira das dezenas de pessoas maravilhosas que eu encontraria na minha odisséia até Salvador.

# Dia 2 – Do céu ao inferno – 21 km

Acordamos 5h da manhã e partimos para o Parque Estadual de Itaúnas. Logo na portaria, eu perguntei se não era proibido pedalar dali até a praia, visto que se tratava de uma unidade de conservação. O guarda me informou que apenas veículos automotores eram proibidos.

Com a autorização concedida, seguimos depressa por dentro do parque até a praia. Só é possível chegar até Mucuri – BA pela areia na maré mais baixa, e faltavam apenas 2 horas para isso.

Fui tomado por uma euforia indescritível quando chegamos na praia. Nem mesmo a areia fofa dos primeiros quilômetros me deixava cansado. Pedalei os primeiros 5 km cantando Society do Eddie Vedder e gritando pro vento. Nunca mais vou esquecer este momento (vide vídeo no topo do post).

praia itaunas

“É nessa hora que começa a tocar Eddie Vedder – Society”
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Após 11 km, chegamos à um obstáculo enorme que foi muito difícil de ultrapassar. Chamovitz até colocou o capacete para caso caísse não se machucar seriamente. Acredito que levamos cerca de 30 min para atravessar tudo. Depois deste obstáculo, existe outro mais difícil ainda de passar.

Fica aqui o alerta: NÃO PASSE ESTE PRÓXIMO OBSTÁCULO! Entre na propriedade privada logo após o primeiro grande obstáculo e vá até Costa Dourada pelos eucaliptos. Nós cometemos o erro de passar o próximo obstáculo e caímos em uma praia sem saída. A maré subiu e molhou toda nossa bagagem, fazendo com que eu perdesse definitivamente uma câmera. Perdemos muito tempo por conta deste erro.

O sol foi ficando cada vez mais forte e o calor aumentou consideravelmente. Tivemos que parar em uma propriedade privada onde uma simpática família que cuida da propriedade nos ajudou fornecendo água e biscoito recheado.

Tomei um banho em uma bica para aliviar o calor e entramos nos eucaliptos até Costa Dourada. Como a próxima maré baixa era só às 9 da noite, resolvemos dormir por lá e partir na manhã do dia seguinte.

Costa Dourada

Entre na propriedade privada após esta formação
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# Dia 3 – Vento – 52 km

Acordamos algumas horas antes da maré mais seca e começamos a preparar as coisas para partir. Como choveu à noite, as coisas não secaram. Colhemos algumas informações sobre os rios que teríamos que passar e partimos para Mucuri pela areia.

Um dos rios que passamos no caminho tinha uma forte correnteza, o que nos deu bastante trabalho. Por isso, é imprescindível se programar para sair na maré mais seca.

Depois de 21 km pela areia, chegamos na barra do Rio Mucuri. Tivemos que esperar cerca de 30 minutos até que pescadores pudessem nos atravessar. Eles não nos cobraram nada.  :)

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Rio Mucuri
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Mucuri bicicleta

Além de não cobrar nada, ainda tirou e colocou a bike no barco para mim.
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Em Mucuri, sacamos dinheiro, lubrificamos as bicicletas e aproveitamos o sinal de celular para enviar notícias pra Vitória. Eu ainda tomei um banho com aqueles negócios usados para limpar vidro de carros em postos de gasolina.

Como pegaríamos asfalto até Nova Viçosa, calibrei o pneu para a pressão máxima indicada pelo fabricante: 65lb.

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Estrada sem acostamento e chuva
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Os 31 km até Nova Viçosa são de asfalto de boa qualidade, entretanto, sem acostamento (como 99% do trajeto até Salvador). O vento estava muito forte, por isso fomos revezando quem ia de cara pro vento.

Chegamos em Nova Viçosa em 1h20 aproximadamente. A bagagem ainda estava toda molhada do dia 2, por isso, resolvemos procurar uma pousada que tivesse ar condicionado (o ar seco dentro do quarto ajudaria a secar as coisas).

Deixamos as coisas secando dentro do quarto e fomos para o cais. Lá, acertamos a travessia para Caravelas com um pescador. Ele nos levaria às 4 da manhã.

Voltamos para a pousada, comemos alguma coisa e capotamos.

# Dia 4 – Pescador – 13,5 km

Acordamos às 2h30 da manhã e as coisas estavam secas graças ao ar condicionado. Tomamos café, arrumamos as bikes e partimos para o cais no horário combinado com o pescador.

O autor do blog Trips de Bike, Victor Guidini, havia passado horas neste mesmo cais pois um pescador furou com ele. Por algum motivo, eu pressentia que o mesmo aconteceria conosco… rsrsr

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Enquanto o pescador não aparecia…
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Deu 4h, 5h, 6h e nada do pescador aparecer. Ao ligar, ele disse que só sairia às 14h pois tinha bebido muito na noite anterior… rsrs

Foi nessa hora que chegou o Renê, dono do Facebook (veja o vídeo no topo do post), e que estava de bobeira. Negociamos por alguns minutos e fechamos um travessia para a Ilha da Peroba por 60 reais.

O visual é fantástico! Vale muito a pena fazer esta travessia de barco. Só perde para a travessia Belmonte – Canavieiras, mas só vou falar dela em algum dos próximos posts.

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Navegamos literalmente no facebook
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Renê nos largou no início da trilha de 13,5 km que leva para um cais onde poderíamos atravessar para Caravelas. Os primeiros 3 ou 4 km da trilha são de areia fofa. Toda hora tínhamos que descer e empurrar a bike. Foi bem chato.

Depois de passar pela areia fofa, um novo desafio: a trilha se divide em outras trilhas menores. Como saber por onde ir?

Vou deixar aqui duas fotos que provavelmente ajudará quem quiser fazer esse caminho:

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Neste ponto, vire à esquerda
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Se você virou à direita, é aqui que você vai sair. Volte e vire à esquerda.
(Clique na foto para ampliar)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se tudo der certo, você chegará no local da foto abaixo e pegará um barco para Caravelas:

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Cais da Ilha da Peroba
(Clique aqui para ampliar)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas isso é assunto para o próximo post!

:)

 

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