Aracruz | Blog da Anette

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Polenta com ensopadinho de músculo e cogumelos

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Meus antepassados italianos viajaram no vapor Izabella que saiu da Itália no dia 25 de agosto e chegado no dia 27 de setembro de 1877. De Vitória, seguiram para Santa Cruz, e completaram o trajeto até Córrego Fundo em canoas.

A família do meu pai se fixou em Sauassú, atual Aracruz. Meu avô trabalhava na usina do IBC em Córrego Fundo e por muito pouco eu não nasci lá.

Meu pai e minha mãe moravam em Vitória e resolveram passar o dia dos pais junto com meu avô. Ai, eu resolvi nascer. Nasci no dia dos pais. Não tinha ambulância, não. Viemos de caminhão até Vitória. Dr. Xavier Calfa veio junto e felizmente tudo deu certo. Estou aqui…

Quando papai viajava, mamãe e eu ficávamos em Córrego Fundo. Eu era bebê, não lembro de nada, mas papai contava que meu avó, João Adrianao, gostava de me colocar sentada em cima da mesa com um montinho de fubá bem perto. Eu espalhava com as minhas mãozinhas e ele ficava dando gargalhadas. Acho que assim que eu virei uma polenteira de carteirinha.

A polenta é uma comida simples, rústica, mas ganha espaço no mundo gourmet com a adição de ingredientes refinados: lascas de trufas brancas ou negras, cogumelos, pecorino ou carnes exóticas.

Para fazer uma bela polenta é necessário um fubá de ótima qualidade. De preferência moído em moinho de pedra. Bem amarelinho. A polenta pede um acompanhamento, um caldinho encorpado. Uma boa opção que não descaracteriza o prato é um ensopadinho de músculo bovino com cogumelos frescos.
Quer experimentar?

A polenta eu já ensinei em outro post. Para o ensopadinho de músculo você precisa de:

600g de músculo bovino cortado em cubos
2 cebolas raladas
6 dentes de alho amassados
1 folha de louro
Um pouquinho de colorau
Azeite
300g de cogumelos frescos – usei cogumelo ostra marrom, que cultivei no kit da Cogoo. Prometo contar tudo em outro post. Agora é só uma degustação! rsrsrsrs.

Paciência. O músculo é muito duro e requer um bom tempo cozinhando. Evito de usar a panela de pressão. Prefiro cozinha em fogo baixo. O caldo fica mais encorpado e saboroso.

Prepare assim: Aqueça o azeite. Refogue a cebola e o alho. Junte o colorau, a folha de louro e a carne e deixe dourar. Acrescente água aos poucos para cozinhar e fazer o caldinho que eu gosto tanto. Atenção! Pode levar umas 2 horas, ok? Ao final do cozimento junte os cogumelos. Deligue o fogo e deixe tampado por 5 minutos. Sirva com polenta

Ajudinha:
Kit Coggo – www.cogubras.com.br

Moqueca de banana da terra

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Obra prima da culinária capixaba, a moqueca de banana da terra tem lugar cativo no meu coração. Quase toda semana eu como moqueca de banana da terra, que tradicionalmente é feita com a banana de vez, ainda inchada, mas prefiro com bananas maduras. A moqueca fica levemente adocicada contrastando com a acidez do tomate. Continue a ler →

Presentinhos do meu jardim

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O melhor momento do dia: chegar em casa e encontrar a dama da noite florida – 23 flores.  Este ano a florada chegou atrasada por causa da chuvarada de dezembro. Mas valeu à pena esperar.

Herdei a planta do meu pai, que trouxe não sei de onde, em uma das suas andanças e caçadas pelas bandas de Aracruz e Barra do Riacho. Faz tanto tempo que já ganhou uma plaquinha de patrimônio. Não canso de admirar sua brancura, de sentir seu perfume delicioso, que , não poderia ser diferente, me deixa nauseada e com dor de cabeça, mas ainda assim, insisto em me deixar envolver pelo perfume que fica mais intenso com o passar das horas. A dama da noite abre os botões no cair da tarde e de madrugada o espetáculo é ainda mais belo. De manhazinha esta murcha e recebe a visita de abelhinhas atarefadas em busca de pólen para dar continuidade ao show da vida. Continue a ler →

Doce de abóbora

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Doce de abóbora: um gosto que traduz as melhores lembranças da infância em Aracruz. Meu pai possuía um pedaço de terra, o Acary. Tinha curral, vacas, touro – Destino de Quiçamã, galinha, pomar, horta. Tudo que uma roça deve ter.  Meu pai me ensinou a ordenhar, a cuidar das galinhas, a semear, a esperar a colheita e saborear os frutos. Herdei do meu pai esse espírito roceiro que acredita que a terra é sagrada, que a semeadura é a certeza da mesa farta, que o suor e o trabalho duro nos fortalecem.

Acredito que naquele tempo eu não pensava assim, mas hoje, saboreando o doce de abóbora do post, essas lembranças voltaram em um passe de mágica. Continue a ler →