Queijadinha – sabor da infância | Blog da Anette

Queijadinha – sabor da infância

queijadinhas

Quando os portugueses aportaram suas caravelas na Terra de Vera Cruz descobriam que os habitantes não conheciam o açúcar. Os indígenas ficaram absolutamente apaixonados pelo pó doce, que desmanchava na boca. Tão apaixonados que rapidinho, aprenderam a trocar o açúcar pelas frutas consideradas exóticas pelos portugueses. Goiabas, jacas, mamões, cocos, bananas, maracujás e jabuticabas deixavam os patrícios enlouquecidos pelo sabor diferente.

Um escambo aqui, outro acolá e indígenas e portugueses conseguiam manter o seu quinhão de delícias.

Quando as mulheres portuguesas chegaram ao Brasil se depararam com um calor dos infernos e cozinhas bem diferentes das que estavam acostumadas. Imagino que muitas pensaram em lançarem-se ao mar e voltar para Lisboa a nado.

Necas de maçãs, peras e morangos. Insetos de toda sorte, condições de higiene precárias (se bem, que lá pela Europa também não havia muita limpeza, não), índios pelados transitando por todos os matos. Nenhum convento para se enfiar. Nenhuma procissão para seguir e pedir ajuda a Deus.

A solução foi transformar o limão em uma limonada. Aos poucos, as receitas conventuais foram sendo adaptadas aos ingredientes disponíveis, e que não eram poucos, não. Com açúcar, muita lenha e com afeto foram descobrindo a goiabada, a bananada, o doce de mamão. A nobreza banqueteava-se com os doces que foram aprimorados pelas mãos habilidosas das cozinheiras negras escravas. Elas foram as grandes responsáveis por diversas inovações como: bananas assadas com canela, mel de engenho com farinha de mandioca ou macaxeira, arroz-doce com leite-de-coco, tapioca, pamonha, beiju, cuscuz, cocada, pé-de-moleque com castanhas de caju e canjica. Surgia, assim a doçaria genuinamente brasileira. Um caldeirão de doçuras.

A receita tradicional da queijadinha veio de Portugal, uma mistura de ovos e queijo Serra da Estrela, colocada sobre uma finíssima massa de trigo e levada para assar em forno baixo. A estória conta que foi na senzala que a queijadinha ganhou o ingrediente principal – o coco. Um escravo substituiu o queijo pelo coco, o que tornou o doce dono de uma característica única: embora leve o nome de queijadinha, não há sequer um grama de queijo na sua receita.

A receita tradicional passou da bisavó, para avó, que passou para a mãe, que passou para as filhas que não fazem mais queijadinhas. As filhas preferem comprar na padaria. A queijadinha da padaria não leva coco branquinho ralado e misturado à calda de água e açúcar que fica horas e horas borbulhando sobre o fogão, até dar o ponto certo. É coco de pacotinho, importado da Ásia. A casquinha de trigo foi substituída pela forminha de papel, mais econômica e menos perecível.

A receita de queijadinha que eu tenho era da minha avó Odete. Aprendi com ela a fazer o recheio molinho, mas, confesso, também me rendi às forminhas de papel.

- Vovó, desculpas, tá? Felizmente, as avós sempre desculpam!!!

Queijadinhas

Ingredientes

500 g de açúcar refinado peneirado
1 xícara de água
100 g de coco ralado
1 colher de sopa de farinha de trigo
6 ovos
1 colher de sopa de manteiga

Prepare assim: Misture o açúcar com a água e leve para ferver até formar uma calda rala, Deixe esfriar e junte os ovos batidos, a farinha de trigo, o coco ralado e a manteiga. Minha avó acrescentava uma piadinha de sal. Misture até ficar bem homogêneo, coloque em forminhas de papel untadas com manteiga, arrume no tabuleiro e leve para assar em forno médio até ficar levemente dourado.

Dica: coloque as forminhas de papel em forminhas de empada para não deformar, ok.

Ajudinhas: pratinho com passarinhos – presente da minha Dinda

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