sobremesas | Blog da Anette

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Mousse de maracujá

mousse de maracuja, capeletti 123Tenho mania de guardar sementes. Sementes de maçã, de pera, de abóbora, melão, melancia, caroço de abacate, de jaca, girassol, de goiaba, de caqui. Poderia ficar um bom tempo listando minha infinita coleção de sementes. Gosto de acreditar que toda semente é uma proposta de vida, um projeto novo. Vez por outra lanço uma no jardim. Não espero um resultado prático, imediato, mas um resultado surpreendente. Foi assim com a minha goiabeira. Lancei um caroço da goiaba madura que trouxe de Santa Teresa. O milagre aconteceu sozinho. Primeiro surgiram duas folhinhas verde claro, um caule medroso. Ganhou forma, ganhou corpo e hoje é a estrela do jardim. Abriga passarinhos, uma plantinha parasita que dá flores cor de rosa, às vezes um monte de lagartas gorduchas. Presenteia-me com flores brancas delicadas e goiabas vermelhas carnudas.

Repeti o processo com uma semente de maracujá. Esta veio de um lugar mais distante. O Mercadão de São Paulo, presente do Thiago. Era um maracujá roxo, doce, perfumado.  Lancei a semente perto do muro e logo as gavinhas buscavam sustentação, emaranhando-se nas outras plantas, vencendo a grade, alastrando pelo portão. Eram tantos ramos que para transpor o portão eu precisava me espremer entre a parede e a grade. Vieram as flores, os besouros bundudos sujos de pólen e tímidos maracujás verdes!!!

Os amigos avisaram.

- Vão roubar todos!!

Torci por um destino diferente. Até que em uma manhã de sábado descobri que os maracujás haviam sumido. Imagine, roubar maracujá verde!! Não tem serventia, não tem cheiro nem sabor. Pura traquinagem ou maldade mesmo. Continue a ler →

Tiramisù

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Dizem que os italianos não são apaixonados por sobremesas como os brasileiros. Na Itália, para finalizar uma refeição, são servidas frutas frescas e queijos.  Ao passo que aqui no Brasil, acaba o almoço e começa um festival de tortas, sorvetes, compotas, pavês e outras tantas delícias igualmente calóricas e extremamente engordativas.

Bom, então o italiano, não come doce? Claro que come, só que em momentos diferentes. Italianos adoram cafeterias e acreditem, as vitrines  são repletas de doces tentações. Um espresso ou um capuccino são um convite para a degustação de um dolce.

O mais famoso doce italiano é o tiramisù (em  vêneto, tirame-sù ; em italiano, tirami su, de tirare + mi + su: “levanta-me” ou “puxa-me para cima”,) é assim chamado por ser considerado muito energético. Os historiadores divergem sobre a origem do doce. Uns acreditam que surgiu em Treviso, região do Vêneto. Outros preferem uma versão mais excitante: o nome viria da expressão  “che ti tira su” (que te faz levantar) usada para revigorar boêmios, em especial após as noitadas nas casas de saliências. O pessoal gosta de inventar coisas!!

A sobremesa tem camadas de biscoito amaretto, embebidos em café forte e vinho marsala, entremeadas por um creme à base de  queijo mascarpone e polvilhadas com chocolate amargo. Continue a ler →

Manjar dos deuses com doce de banana

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Quando a família imperial chegou ao Brasil ficou absolutamente encantada com o leite de coco. O sabor, levemente adocicado, deixou a corte portuguesa babando. A fartura de açúcar, as mãos habilidosas das escravas, os tacho de cobre, os cadernos de receitas de mil oitocentos e antigamente, delicadamente copiados pelas jovens casadoiras. Um prato cheio – sem trocadilhos !!!

Graças a todos esses fatores, as receitas medievais portuguesas foram adaptadas aos ingredientes e ao calor tropical. Surge então o manjar branco. Sai o peito de galinha ( como assim? ) e entra o leite de coco. Isto é que eu considero uma troca inteligente.

Curioso, sobre o peito galinha? Acompanhe a estorinha no final do post. Por enquanto vamos para a receita do século XIX, mais gostosa, mais doce e mais brasileira. Continue a ler →