Bala de leite | Blog da Anette

Bala de leite

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Balas de leite, humm!!! Irresistíveis.

A delícia tem gosto da minha infância. Eu morava na Rua Barão de Monjardim, um casarão repleto de sons noturnos, de estalidos de fazer a coluna arrepiar. Fechava os olhos bem forte para dormir logo e não ouvir os barulhos. Acho que era mal assombrado ou talvez fosse apenas o ir e vir do morador do segundo andar. Mas que dava medo, ah, isso dava!

Bastava o sol aparecer para esquecer tudo.  A nossa vizinha era professora de piano e logo cedo começava o festival de Claire de Lune . Sabia a música de cor, cada acorde.  Conhecia as alunas, inclusive as desafinadas.

-   Tá melhorando! Comentava, olhando pela grade do portão.

Mentira pura. Tocavam por obrigação, sem o menor sentimento. Algumas vezes ia espiar as alunas tocando, repetindo os exercícios, folheando as partiduras. Era só curiosidade. Nunca fui muito musical , mas gostava de brincar de dedilhar o meu pianinho imaginário.

De manhã também tinha correria na calçada, brincadeira de bonecas e a venda do “ seu ” Cajueiro .  Um verdadeiro shoppping: de graxa para sapatos a frutas e legumes, passando por itens de perfumaria e roupas.

Vez por outra mamãe me encarregava de fazer compras: algumas batatas, açúcar, óleo ou sabão.

-  Anette, antes de atravessar a rua tem que olhar para um lado e para o outro e esperar na calçada. Os motoristas são loucos!!

Não passava um carro sequer. Eu olhava para um lado e nada. Olhava para o outro e nada. Fazer o quê ? Era melhor obedecer. Mamãe ficava de protidão esperando eu atravessar a rua. Talvez pensando em como eu estava crescida, uma mocinha, talvez preocupada se o dinheiro seria suficiente para pagar as compras. Talvez pensando em nada.

-  Mãe, posso comprar bala de leite?

 -  Sim, mas sem exagero! Você tem que almoçar.

 - Até parece que umas balinhas seriam suficientes para tirar o meu apetite!!! Pensava com meus botões.

 -  Cuidado com o troco “ seu ” Cajueiro  é muito esperto. E piscava o olho verde claro lindo, com ar de cumplicidade.

Voltava com as compras e com as balas de leite que “ seu ” Cajueiro retirava de um pote de vidro, enrolava em papel pardo, amassado e meio sujo.

Missão cumprida: atravessei a rua, não deixei “ seu ” Cajueiro me enganar no troco. Sentava nos degraus perto da porta da cozinha e ficava degustando o meu prêmio.  As vezes guardava algumas embaixo do travesseiro para comer depois que voltasse da escola.

Não era um bom esconderijo. As formigas faziam a festa e meu irmão, também.

Simples assim, como a vida deveria ser para sempre.

Bala de Leite

Ingredientes

1 litro de leite

500g de açúcar.

Prepare assim

Leve o leite ao fogo e deixe ferver, até diminuir pela metade. Junte o açúcar, peneirado, aos poucos. Mexa até desgrudar do fundo da panela. Retire do fogo e bata com uma colher de pau, até começar a endurecer. Despeje sobre um asuperfície untada com margarina. Corte as balas antes de esfriar completamente. Passe no açúcar e ataque. Depois de alguns dias ela ficam durinha por for a e cremosas por dentro. Derretem na boca.

Eu ia postar Clair de Lune, mas me lembrei da Valsa pra Lua , do Vítor Araújo. Espero que você goste. O Vítor é um jovem pianista de Recife e fez a música para a namorada.

 

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2 Comentários to “Bala de leite”

  1. Oi, Anette! Que lembrança maravilhosa! Eu morei na Presidente Pedreira, no Parque Moscoso. Na Av. Cleto Nunes tinha a fábrica de biscoitos, que era uma tortura! Nunca mais na vida comi, nem comprando nem consegui fazer igual: uma rosquinha salgada, maravilhosa.Quem comeu ainda se lembra!

    • Acho que era o biscoito Sarlo ( ou fabricado pela família Sarlo – biscoitos caseirinhos, se não me engano). Vinha numa caixa, tinha casadinho, um cumpridinho com uma casquinha. Uma delícia mesmo!!!

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