Baccalà con polenta | Blog da Anette

Baccalà con polenta

polenta com bacala 2 009

Polenta. Uma palavrinha capaz de mudar o meu humor e fazer meus olhinhos brilharem. Sou uma polenteira assumida. Até plagiei a Sofia Loren que atribui sua beleza e boa forma ao consumo de spaghetti.  Devo tudo à polenta – beleza e boa forma. Tá bom, não tão boa forma. Vou apelar um pouquinho. Tenho ombros largos e biotipo italiano, fica difícil ser magrinha. Assumidamente feliz do jeitinho que sou. E sempre comendo polenta.

Meu pai era muito bom de cozinha. Herdei a paixão. Fazer polenta era um ritual. Usava o fogão à lenha que ficava no quintal. Um capricho do meu pai. Construiu o fogão à lenha de acordo com a sua engenharia intuitiva. Uma chaminé mais alta para a fumaça não incomodar os vizinhos. Era bom acordar com aquele cheiro de madeira queimada. Às vezes a fumaça invadia meu quarto, me sufocando, deixando a roupa com cheiro de carvão. Chorei quando demolimos o fogão.  Parecia que estava demolindo uma parte dos nossos melhores momentos. Quardei alguns tijolinhos rústicos do fogão. Uma doce lembrança.       

Com o fogo crepitando era hora de colocar o panelão, de fundo bem grosso, com água para ferver. Quando a água começava a fazer bolinhas na lateral, papai acrescentava o sal, a manteiga e um pouco de banha de porco. Com a água fervendo era hora de polvilhar o fubá, moído em moinho de pedra. Amarelinho de dar gosto. Papai jogava o fubá do alto, fazendo uma chuva. A colher de pau de cabo bem longo não parava. Papai ficava mexendo a polenta, fazendo movimentos circulares, o suor escorrendo. Todo esforço para a polenta não empelotar. De tempo em tempo, colocava um provinha na borda do fogão, para testar o ponto. Perdi a conta de quantas vezes queimei os dedos e a língua. Quem manda ser gulosa?

na tábua. Uma tábua bem grossa, de angelim pedra, que papai trouxe do Pará. Ficava absolutamente fascinada com a imagem da polenta na tábua, sem escorrer. Tinha que esperar esfriar para cortar fatias grossas com um barbante. Isso mesmo, papai não usava faca, enrolava um barbante nos polegares e com um movimento preciso cortava as fatias. Ficavamos esperando, conversando, raspando o fundo da panela. Era bom comer a casquinha crocante com manteiga. Nunca mais.

Meu pai gostava de comer polenta com leite quente. Nunca gostei. Prefiro acompanhamentos salgados, os m eus favoritos são: ensopadinho de carne picadinha com cenoura ou vagem com ovo poché  ou frango com maxixe. Polenta pede um caldinho encorpado.Bom, se você esta  pensado que papai tinha esse trabalhão todo para comer polenta com leite, esta enganado. Ele gostava de comer com costela ensopada, chouriço feito pela tia Leonídia, linguiça de porco frita, ovo caipira frito na manteiga e outras delícias bem gordurosas.

A polenta com bacalhau era preparada na Páscoa, uma tradição que papai inventou para aproveitar as aparas do bacalhau que sobrava da torta capixaba. Papai não desperdiçava absolutamente nada. Coisa de descendente de imigrante. Herdei a mania de aproveitar tudo.

Polenta com baccalà

Ingredientes

Para o bacalhau:

350 g de bacalhau dessalgado
1 cebola ralada
1 dente alho sem a casca
sal, colorau e azeite

Para a polenta:

200 g de fubá
1,5 litros de água
3 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de azeite
1 colher de chá de sal

Prepare assim:

Aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho. Acrescente o colorau e o bacalhau dessalgado. Deixe cozinhar um pouco. Acrescente água suficiente para formar um caldinho. Reserve. Em uma panela alta e de fundo grosso, coloque a água, o sal, o azeite e a manteiga e leve à fervura. Acrescente o fubá aos poucos, polvilhando sobre a água fervente. Mexa com um batedor de arame em fogo baixo por uns 40 a 45 minutos, até que comece a desprender do fundo da panela. Coloque a polenta nos pratos, regue com azeite.  Arrume o bacalhau sobre a polenta, regue com um pouco mais azeite e decore com salsinha, cebola roxa e azeitonas verdes.polenta com bacala 2 014

Ajudinha: Azeitonas Cepera

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